Unasul deve agilizar integração dos países andinos ao Mercosul
Tratado assinado por 12 países da América do Sul confere personalidade jurídica internacional para o subcontinente. Em entrevista coletiva, Lula disse estar de "alma lavada" com a criação da Unasul; presidentes discutem a crise entre Equador e Colômbia
A Unasul (União das Nações Sul-americanas) foi instituída formalmente ontem, em Brasília, com a assinatura do Tratado Constitutivo. O documento, assinado por 11 presidentes e um vice-presidente, confere personalidade jurídica internacional ao subcontinente.
Trocando em miúdos, a América do Sul ganha status de organização internacional, reconhecida na ONU (Organização das Nações Unidas) e capaz de negociar com outros países, blocos de países e instâncias multilaterais. Exemplo desse tipo de autoridade supraestatal é a União Européia. Em tese, a Unasul deverá auxiliar na convergência dos outros blocos já existentes no continente, o Mercosul e a Comunidade Andina, mas com estrutura independente e orçamento próprio.
Só que, enquanto o bloco europeu levou 50 anos para se constituir, o sul-americano queimou etapas e o fez em apenas quatro. O texto do tratado foi negociado por 16 meses entre representantes de todos os 12 governos sul-americanos.
O desafio é tirar do papel tantas boas intenções. Além de estabelecer as regras de funcionamento burocrático da Unasul, o tratado define metas para a integração em diferentes áreas: cooperação econômica e comercial; cadeias de produção; pesquisa e inovação; promoção da diversidade cultural; intercâmbio de informação e de experiências em matéria de defesa; e segurança pública.
Em discurso, Lula disse que "o tratado não é um fim em si mesmo". Segundo ele, é preciso avançar em projetos inovadores. "Queremos avançar rapidamente em áreas prioritárias, como integração financeira e energética, ferroviária e rodoviária, além da defesa", disse.
Atraso
Como anfitrião, Lula foi o primeiro a discursar, seguido pelo presidente boliviano, Evo Morales, e pela chilena Michelle Bachelet. Eles ressaltaram o ineditismo de estarem ali um indígena, um sindicalista e uma mulher, todos presidentes.
A cúpula foi realizada no Centro de Convenções Ulisses Guimarães. "Não poderia ser mais propício um lugar batizado com o nome do pai da nossa Constituição democrática", disse Lula. O evento começou com atraso de duas horas, por causa da demora no café da manhã entre Lula e os presidentes Rafael Correa (Equador) e Hugo Chávez (Venezuela). Com o atraso, o presidente peruano, Alán García, abandonou o local logo após assinar o tratado.
A única ausência entre os presidentes foi a do uruguaio Tabaré Vázquez, que enviou o vice Rodolfo Nin Novoa. Segundo a Folha apurou, Vázquez avisou que não iria com três semanas de antecedência, em parte por duvidar dos resultados concretos da reunião.
Após abertura da cúpula, os presidentes se reuniram a portas fechadas para discutir a crise entre Equador e Colômbia. Em entrevista coletiva, Lula disse estar de "alma lavada" com a criação da Unasul e a comparou à União Européia.
Folha de São Paulo
Não há agricultura sem devastação, diz governador de MT
Para Blairo Maggi, críticos da produção agrícola esquecem que alimentos não "nascem nas gôndolas do supermercado"
Em discurso em Itaúba (MT), governador diz que crítica de ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) é causada "por desconhecimento"
No dia seguinte ao seu encontro com o ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), coordenador do PAS (Plano Amazônia Sustentável), o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), no último dia 21, diante de uma platéia formada por políticos e agricultores de Itaúba (600 km de Cuiabá), disse que "não se faz agricultura sem retirar a floresta" e que produtores rurais carregam o estigma de destruidores da natureza, quando, na verdade, são responsáveis pelos alimentos que chegam às grandes cidades.
Para Maggi, os críticos do atual modelo de produção agrícola "se esqueceram" que produtos não nascem nas prateleiras dos supermercados. "Aqueles que vivem nas cidades se esqueceram de onde vem o frango, esqueceram de onde vem a carne. Eles acham que tudo aquilo nasce pronto lá na gôndola do supermercado. Que o Danoninho, o iogurte, nasce ali. Eles já não sabem mais que o leite tem que sair de uma vaca, criada em um lugar que já foi floresta", disse Maggi.
O discurso de Maggi foi gravado e repassado à Folha por sua assessoria. Em um dos trechos, diz: "Quer seja em Mato Grosso, São Paulo ou Rio Grande do Sul, não se faz agricultura ou pecuária sem retirar a floresta. Essa é a grande verdade".
Ainda no discurso, Maggi defendeu que "esse é o momento da construção de um novo pacto. Daqui para a frente, precisamos tirar esse estigma, esse preconceito sobre os setores produtivos. Nós concordamos com a atual política de não mais aberturas. Tanto é que a Sema [Secretaria Estadual de Meio Ambiente] está sendo rigorosa. Estamos trabalhando para construir algo diferente, em harmonia com a natureza, e retirar da terra o que é necessário para a gente viver."
Maggi reivindicou, ainda, a construção de uma política "diferenciada" para o Estado, em relação aos outros integrantes da Amazônia Legal. Segundo o governador, a população mato-grossense não é "extrativista". "Não aceitamos a mesma discussão que se faz para o Acre e o Amazonas. Nós não nascemos na floresta e não aprendemos a viver nela. Pelo contrário, a grande maioria daqueles que aqui moram veio de outros Estados para fazer a vida."
O "povo" de Mato Grosso "não pensa em destruir. O que ele pensa e foi ensinado é que lugar de mato não vale nada, governo não aparece, não tem cidade boa para se viver, não tem estrada. Então a participação dessas pessoas não é a de destruir, mas de construir uma vida melhor. Para isso, é preciso usar a natureza."
Sobre as críticas do ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), Maggi disse considerar que são motivadas "por desconhecimento" e que tem certeza de que haverá entendimento. Ontem o governador informou que não tinha nada a comentar sobre as declarações porque elas haviam sido dadas em um evento público.
Folha de São Paulo
Presidente do Supremo diz que julgamento deve ser em junho
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, disse ontem em entrevista coletiva em Brasília que o julgamento das ações que contestam a demarcação da terra indígena Raposa/Serra do Sol (RR) deve acontecer no final de junho ou, no máximo, início de agosto.
Na última quinta-feira, o ministro sobrevoou a região, cuja forma de demarcação, no modelo contínuo e sacramentada por decreto presidencial, foi questionada diante do Supremo Tribunal Federal, principalmente por fazendeiros que produzem arroz na região.
Mendes fez a viagem até Roraima acompanhado dos ministros Carlos Ayres Britto, relator do caso no STF, e Cármen Lúcia Borges. Os três sobrevoaram, num avião da Força Aérea Brasileira, as cidades de Surumu, Pacaraima e a já quase deserta Água Fria. Desceram em Serra do Sol, a 400 quilômetros de Boa Vista, local em que mantiveram contato com índios da etnia Ingaricó.
Mendes disse que ainda não tem opinião formada sobre o caso. E, mesmo que tivesse, não poderia antecipar o seu voto. Afirmou, no entanto, que o STF terá a oportunidade de julgar um caso "de escola". E explicou:
"Estou convencido de que o tribunal tem em mãos um caso peculiar. Pela primeira vez vai se pronunciar, sob a Constituição Federal de 1988, acerca da soberania indígena, da presença ou não de militares [nessas áreas, que são de fronteira com a Venezuela e a Guiana] e sobre o dever/poder do Estado nessa situação", disse.
Preocupação
A interlocutores, segundo a Folha apurou, o presidente do Supremo disse estar preocupado com a atuação de ONGs na região, que, por vias transversas, acabam cumprindo o papel de Estado até mesmo nas áreas de saúde e educação.
No mínimo, entende Mendes, conforme revelou em conversas reservadas, o julgamento vai levar à revisão das formas de demarcação das terras indígenas, no sentido de submetê-las a um debate mais amplo do que manter, como acontece hoje, a decisão somente de acordo com os critérios estabelecidos pela Funai (Fundação Nacional do Índio).
Folha de São Paulo
Sucessão nos EUA / América Latina em foco
Obama diz apoiar invasões da Colômbia contra as Farc .Em plano para região, democrata fala em manter embargo a Cuba, mas aceita dialogar
Pré-candidato critica Hugo Chávez, elogia Brasil e fala de reciprocidade, em ataque ao que vê como desdém de Bush em relação a vizinhos
Em seu primeiro discurso totalmente dedicado à América Latina, o senador Barack Obama adotou tom cauteloso, de meio do caminho entre a atual política norte-americanas e as mudanças mais radicais que vinha prometendo na campanha. O pré-candidato democrata à sucessão de George W. Bush disse que, se eleito em novembro, manterá o embargo econômico a Cuba, apoiará invasões da Colômbia na luta contra as Farc e adotará postura crítica em relação a Hugo Chávez.
Em contrapartida, acenou com a possibilidade de se encontrar com o líder cubano Raúl Castro, disse que permitirá mais viagens e envio de dinheiro à ilha e criticou a falta de diálogo do atual governo com o presidente venezuelano. Num dos pontos mais polêmicos do que chamou de "Nova Parceria para as Américas", o democrata tomou o mesmo lado de Bush na ação recente mais controversa a ter lugar na região.
"Vamos apoiar integralmente a luta da Colômbia contra as Farc", afirmou, durante discurso em almoço oferecido pela entidade anticastrista Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA), em Miami, na Flórida. "Trabalharemos com o governo para eliminar o reino do terror dos paramilitares. Apoiaremos o direito da Colômbia de atacar terroristas que buscam abrigo seguro cruzando as fronteiras."
Em março, o governo do colombiano Álvaro Uribe mandou bombardear acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia no Equador, numa ação rejeitada por líderes da região, incluindo o Brasil, que resultou em incidente diplomático ainda não resolvido -e realimentado por arquivos de computadores de ex-líderes da guerrilha que citam Chávez e o presidente equatoriano, Rafael Correa.
Ao mesmo tempo, Obama prometeu acabar com o "medo" e levar "liberdade" à região. Ofereceu maior reciprocidade entre o país e seus vizinhos ao propor a inversão da máxima dos anos 60 atribuída ao ex-embaixador do Brasil em Washington e ex-chanceler brasileiro, general Juracy Magalhães (1905-2001), segundo a qual "o que é bom para os EUA é bom para o Brasil".
"Minha política para as Américas vai ser guiada pelo simples princípio de que o que é bom para o povo das Américas é bom para os Estados Unidos", discursou. Depois, faria um jogo de palavras com as duas leituras da palavra "freedom", em inglês, para dizer que as pessoas estão famintas por "liberdade política, liberdade religiosa, mas também por serem livres da necessidade, do medo".
O morde-assopra de Obama deve ser entendido à luz do atual momento político, do público e do local em que o discurso foi feito. A fala chega quando o provável futuro rival do senador, o republicano John McCain, questiona as credenciais de política externa do democrata ao chamá-lo de "ingênuo" por querer negociar com países considerados hostis.
Ainda, teve como platéia primeira cubano-americanos e seus descendentes, que são conservadores e compõem importante parcela do eleitorado de um dos Estados sem definição partidária clara -o que pode decidir a eleição num ano de disputa tão acirrada. "Há que se dar um desconto por isso", disse à Folha Mark Weisbrot.
Para o co-diretor do progressista Centro para Pesquisa Econômica e de Políticas, de Washington, "não há dúvida que a política do democrata para a região será substancialmente diferente da de Bush e McCain". Ele considera a justificativa de violação territorial por conta das Farc, no entanto, novidade "preocupante".
Brasil
Sobre o Brasil, Obama elogiou o desempenho econômico e a política energética do país, mas ressaltou as desigualdades sociais. No folheto distribuído por sua campanha, em que detalha a tal parceria proposta para o continente, cita o país como "um exemplo de grande potencial de energia renovável na América Latina, assim como de alguns dos percalços a evitar".
"A liderança do Brasil na arena dos combustíveis renováveis não chega sem preocupações", diz o texto. "A região amazônica, fonte mundial incrivelmente importante contra o aquecimento global, cobre cerca de 60% do Brasil e perdeu cerca de 20% de sua floresta para desenvolvimento, extração de madeira e agricultura." O democrata ecoa argumentos recentes de críticos do programa brasileiro, refutados pelo governo Lula.
Folha de São Paulo
Inpe contesta declarações de ministro
O diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Gilberto Câmara, disse ontem que não será feita divulgação de novos números do desmatamento na próxima segunda-feira, conforme havia declarado o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente). Câmara disse ainda que não partiu do órgão a informação, também dada por Minc, sobre um aumento de 60% das derrubadas em Mato Grosso.
"Segunda-feira agora, o Inpe vai divulgar uma nova estatística de desmatamento de terra. (...) Vai ser um dado ruim, vai ser um dado de aumento. E, para variar, mais de 60% em qual Estado? Quem sabe? Mato Grosso", disse Minc, em entrevista.
"Não foi o Inpe", disse Câmara à Folha. Segundo o diretor, a divulgação dos dados foi cancelada por necessidade de "revisão" dos números e pelo momento de tensão vivido desde a saída de Marina Silva. Câmara lembrou que Minc tomará posse só na terça e precisa de tempo para "entender a situação".
Sobre contestações de Mato Grosso -que diz ter identificado erro de 90% nos números do Inpe relativos ao último trimestre de 2007-, Câmara disse ter conversado com o secretário de Meio Ambiente do Estado, Luís Henrique Daldegan. "Disse que nosso objetivo não é ficar brigando com MT."
Daldegan confirmou o contato com o diretor do Inpe e disse que Minc, em outro telefonema, havia lhe relatado o recuo em relação ao anúncio da próxima semana.
Carlos Minc negou ontem que os dados do Inpe sobre o desmatamento na Amazônia estejam sob revisão. "Estão simplesmente formatando alguns mapas regionais."
Ele voltou a dizer que Mato Grosso é o principal responsável pelo aumento do desmatamento na região. "Entre 50% e 60% do conjunto de indícios fortes de desmatamento estão concentrados no Mato Grosso.
Folha de São Paulo
Entraves marcam criação de entidade para unir América do Sul
Unasul é formalizada sem que Lula vença resistências a conselho que integraria políticas de defesa de 12 países
A União Sul-Americana de Nações (Unasul) tornou-se efetiva ontem sob a convicção brasileira de que a América do Sul tem estofo suficiente para mudar o “tabuleiro do poder” mundial. Essa aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressa em seu discurso na abertura da reunião extraordinária de cúpula da Unasul, esfarelou em três vertentes. O lançamento do Conselho Sul-Americano de Defesa, o pilar da Unasul para a segurança regional, foi adiado por novas resistências e cautelas que se somaram às da Colômbia, que exigiu a classificação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como grupo terrorista.
O uso do encontro de Brasília para apaziguar definitivamente a crise na vizinhança igualmente fracassou, diante de novos ataques do presidente do Equador, Rafael Correa, à Colômbia. A terceira vertente foi a constatação de que não haverá recursos financeiros para alavancar a integração sul-americana - tema para o qual o próprio Lula chamou a atenção. O petista referiu-se à Unasul como um “pesado fardo” ao citar r a passagem da presidência temporária da Bolívia para o Chile.
“Uma América do Sul unida mexerá com o tabuleiro do poder no mundo. Não em benefício de um ou outro de nossos países, mas em benefício de todos”, afirmou o presidente brasileiro, em seu discurso. “Estamos deixando para trás uma longa história de indiferença e isolamento recíproco. Nossa América do Sul não será mais um mero conceito geográfico.”
A rigor, a reunião de Brasília cumpriu seu objetivo central - a assinatura do tratado constitutivo da Unasul, que dará as bases jurídicas para a ação desse novo organismo regional. Alan Garcia, presidente do Peru, assinou o texto, falou rapidamente sobre o quão importante lhe pareceu esse ato e voltou a Lima. Não esperou o encontro reservado entre os chefes de Estado presentes nem o almoço no Itamaraty - oportunidades para dissolver nódoas nas relações bilaterais.
Entusiasmado, Lula enumerou as vantagens comparativas da América do Sul. No plano econômico, destacou que a região tornou-se “um dos principais pontos de atração de investimentos no mundo”, graças à fase de crescimento com redução da desigualdade social. No plano político, citou o fato de todos os líderes sul-americanos terem sido eleitos em “pleitos democráticos e com ampla participação popular”.
“A América do Sul é, hoje, uma região de paz, onde floresce a democracia”, resumiu. “Esses progressos nos campos econômico e sócio-político nos conferem crescente projeção no novo mundo multipolar que se está constituindo.”
Ciente das oposições da Venezuela, Bolívia e Equador, Lula esquivou-se de defender a ampliação da produção e do uso dos biocombustíveis em seu discurso. Preferiu abordar o tema indiretamente. “Nossa região torna-se um interlocutor cada vez mais indispensável à medida que o mundo se vê diante da necessidade de compatibilizar segurança alimentar, suprimento energético e preservação do meio ambiente”, declarou. “Quando a escassez de alimentos ameaça a paz social em muitas partes do mundo, é em nossa região que muitos vêm buscar respostas.”
O encontro não chegou a ser plenamente contaminado pelas provas reunidas pelos investigadores da Interpol da colaboração dos governos da Venezuela e do Equador com as Farc. Mas o imbróglio espirrou na resistência pétrea do presidente colombiano, Álvaro Uribe, em somar-se ao Conselho Sul-Americano de Defesa - um projeto caro a Lula, que havia designado o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para costurá-lo. Uribe exigiu a qualificação das Farc como grupo terrorista.
“O continente deve atrever-se a qualificar como terrorista todo grupo violento que atente contra a democracia”, afirmou, depois de uma conversa reservada com Lula. “Sonho que a América do Sul avance para uma sociedade democrática em que, à semelhança da Europa, não se permita a existência de grupos violentos, como os que temos”, completou, para em seguida indicar que sua resistência não se devia à presença da Venezuela de Hugo Chávez no mesmo Conselho.
Lula ainda insistiu, ao discursar, na criação do Conselho ainda ontem e chegou a propor o agendamento de uma reunião para “detalhar os objetivos e o funcionamento” do órgão no segundo semestre deste ano. Mas conseguiu apenas a aprovação da sugestão da presidente do Chile, Michele Bachelet, de criação de um grupo de trabalho para construir um projeto em 90 dias. Além da Colômbia, o Uruguai mostrou-se reticente.
“Fracasso teria sido se os chefes de Estado não tivessem aprovado a criação do grupo de trabalho”, acudiu Bachelet, quando Lula foi questionado pela imprensa se teria fracassado nessa aspiração.
Sunday, May 25, 2008
Monday, May 12, 2008
AMAZONAS
Corpos de mais duas vítimas de naufrágio são localizados
Pescadores localizaram ontem, no rio Solimões, mais dois corpos de passageiros do barco Comandante Sales, que naufragou no último dia 6, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus), elevando para 48 o número de mortos no acidente.
Estima-se que ainda haja seis pessoas desaparecidas -o número é incerto porque o barco estava em situação irregular e não havia lista de passageiros. Ontem, o Corpo de Bombeiros informou que dois supostos passageiros que eram dados como desaparecidos estão vivos e não participaram da viagem.
A Defesa Civil de Manacapuru anunciou que a polícia investiga a suspeita de que dois tripulantes do barco estejam vivos. Eles são irmãos do dono da embarcação, morto no acidente.
"É quase certo que eles não tenham morrido, mas não estariam no município por temerem represálias", disse a secretária da Ação Social do município, Marta Régis.
Segundo os bombeiros, os dois corpos localizados ontem estavam a 80 quilômetros de distância um do outro. (KÁTIA BRASIL)
Folha de São Paulo SANTA CATARINA
Bombeiros cessam buscas por padre que voou em balões
Bombeiros encerraram ontem as buscas pelo padre Adelir Antônio de Carli, 41, desaparecido desde o dia 21, após levantar vôo amarrado a balões de festa, em Paranaguá (96 km de Curitiba).
Desde então, bombeiros voluntários de Penha (120 km de Florianópolis), região onde restos de balões usados pelo padre foram encontrados, trabalharam por mais de 20 dias seguidos em busca de pistas. Cerca de 90 bombeiros cumpriram 120 horas de buscas por terra, água e ar.
Ele fez o último contato por rádio, com bombeiros, em São Francisco do Sul (SC). "O que tinha que ser feito foi feito. Não acho que podemos localizá-lo nessa região", disse o comandante das operações, Johnny Coelho. Lanchas e helicópteros da polícia e de empresários foram usados nos trabalhos.
A Marinha já havia encerrado as buscas ao padre no último dia 26. Apesar do fim das buscas, integrantes da Pastoral Rodoviária, projeto de apoio a caminhoneiros idealizado pelo padre, afirmam ainda ter esperanças de que o religioso esteja vivo. (MATHEUS PICHONELLI)
Folha de São Paulo Barco ignora risco e viaja no escuro para fugir de fiscal
Folha fez viagem semelhante a que acabou em naufrágio no domingo passado. Barco com salva-vidas rasgados e sem lista de passageiros só saiu do porto irregular quando lanchas da Marinha foram embora
KÁTIA BRASIL
Cruzar os rios da Amazônia em barcos que ligam as cidades ribeirinhas é viver sob risco de naufrágio. Imprudentes, donos das embarcações driblam a fiscalização da Marinha com conivência de passageiros. Quem ousa reclamar perde o direito de seguir viagem.
No domingo passado, um barco superlotado e em situação irregular naufragou no rio Solimões, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus). Até ontem à tarde, 46 corpos de vítimas haviam sido resgatados. Dez pessoas ainda estariam desaparecidas.
Para verificar as condições dessas viagens, a reportagem tomou um barco em Manaus na última quinta-feira. O destino: Manacapuru, a cidade do acidente de domingo. Sete horas rio Solimões acima separavam os municípios.
O trajeto começa no maior porto irregular do Amazonas, as escadarias da avenida Manaus Moderna. Às margens do rio Negro, camelôs, carregadores, comerciantes de passagens e pescadores dividem espaço em um ambiente poluído.
A repórter e o repórter-fotográfico compram, por R$ 15 cada um, bilhetes para o percurso na embarcação Capitão Antônio. Com dois andares em madeira, o barco é semelhante ao acidentado no Solimões, o Comandante Sales.
Com início marcado para 17h, a viagem só começou às 18h15, quando duas lanchas da Marinha finalizaram o expediente. "As baratinhas [lanchas da Marinha] estão ali, vamos esperar um pouco", disse um passageiro a Argemiro Auzier, 63, o comandante do Capitão Antônio.
Tem lista de passageiros
Dentro do barco, com capacidade para 60 pessoas, outra irregularidade é notada logo no início da viagem: não havia lista dos 22 passageiros, que se acomodavam em redes atadas aos conveses.
O mesmo ocorreu com a embarcação Comandante Sales, daí a dificuldade de precisar o número de desaparecidos até agora.
Com cinco tripulantes e um cachorro, o Capitão Antônio tem apenas um banheiro, fétido. Carregava oito toneladas de mercadorias (abaixo da capacidade máxima, de 20 toneladas) entre alimentos e materiais de construção. Os salva-vidas, fabricados em 2003, estavam vencidos, sem apitos e rasgados.
Mesmo antes de desatracar, Auzier e o dono do barco, Antônio Macena, questionaram a Folha sobre o objetivo da reportagem. Preocupados, diziam não querer "problemas com a Marinha".
O comandante, único a conceder entrevista, disse que o barco estava em situação legal. Afirmou conhecer bem "99% dos rios do Amazonas". Para ele, acidentes como o de domingo passado só ocorrem por "imprudência do comandante, bebida e problemas no motor".
Durante o percurso, os procedimentos não foram o de uma viagem regular.
No escuro
Logo que escureceu, Macena mandou apagar as luzes do barco. O repórter-fotográfico acendeu uma lâmpada no convés superior, rapidamente desligada por outro passageiro.
No breu do rio Solimões, o barco fica quase invisível aos olhos dos fiscais. Até Manacapuru, o Capitão Antônio percorreu vilas, ultrapassou dezenas de embarcações, enfrentou ondas provocadas por outros barcos, bancos de areia e remoinhos sem acender as luzes dos conveses.
A única parada foi em Iranduba (25 km de Manaus), às 21h, para compra de gás, cervejas e refrigerantes em um porto flutuante.
A maior parte dos passageiros eram parentes da autônoma Waldilene da Silva, 29, que seguiam para uma festa em Caapiranga. Com exceção de duas adolescentes no grupo de 12 pessoas, todos bebiam sem parar ao som do brega, gênero popular no Norte do país. "Conhecemos o dono do barco e nos sentimos seguros", disse Waldilene.
Por volta da 1h30, o barco atracou em Manacapuru. Não havia qualquer fiscalização da Marinha. A reportagem desceu no porto.
Nas paredes do Capitão Antônio, sem informações sobre a empresa dona do barco ou dados sobre lotação, apenas uma placa com a frase: "Deus abençoe quem entra nesse barco, proteja quem fica e leva em paz quem sai".
Folha de São Paulo Barcos de porto ilegal levam 90% dos passageiros
No centro antigo da capital amazonense, as escadarias da avenida Manaus Moderna, às margens do rio Negro, formam o maior porto ilegal do Amazonas. É o ponto de partida da viagem feita pela Folha até Manacapuru, a 84 km dali. Estima-se que mil embarcações atraquem por dia no local. Elas transportam 90% dos 180 mil passageiros que trafegam por mês pelos rios Negro e Solimões, que formam o Amazonas.
Quando o rio Negro está cheio, passageiros têm de sujar os pés na água poluída, atravessar passarelas improvisadas de madeira e balsas para acessar os barcos. Nas passarelas, o que se vê é um entra-e-sai de gente à procura de embarcações, candidatos a passageiros que se misturam a camelôs, carregadores, barqueiros e pescadores. Todos trabalhando em condições insalubres.
As passagens são vendidas nos barcos ou em bancas ao longo da chamada Feira da Banana. Os destinos são os 62 municípios amazonenses, além de cidades no Pará e em Rondônia. Em cima das balsas, camelôs vendem lanches e bebidas alcóolicas. À noite, o local vira ponto de prostituição e de tráfico de drogas.
A 50 metros do ponto clandestino, fica um porto legal, a Estação Hidroviária do Porto de Manaus, que atende somente 4.775 passageiros por mês. Como as passagens ali são mais caras, os clientes preferem as escadarias da Manaus Moderna, onde os barcos atracados não pagam taxas.
A diferença de preço das passagens nos dois portos chega a 20%. Para Coari (370 km de Manaus), por exemplo, o bilhete sai por R$ 72 no porto, contra R$ 60 nas escadarias.
"Infelizmente isso [predomínio do transporte informal] é uma realidade cultural e social", afirma Carlos Alexandre De Carli, diretor-presidente do Porto de Manaus.
Folha de São Paulo Em choque, sobrevivente não se lembra de nomes nem idade
O jovem que foi resgatado 24 horas após o naufrágio do barco Comandante Sales, no rio Solimões, em Manacapuru (AM), na madrugada do último domingo, ainda está em estado de choque. Esquece a data do nascimento, os nomes dos amigos.
A reportagem o encontrou em casa na última sexta, onde agora ele passa a maior parte do tempo.
Leandro Souza Monteiro, 22, foi achado por pescadores agarrado a uma moita de capim no rio. No momento, disse que tinha 18 anos. "Não lembro a data do meu nascimento."
O rapaz é trabalhador rural e estudou até a terceira série do ensino fundamental. Mora numa palafita na periferia. Sua mãe, Sandra Monteiro, 40, e a irmã, Alessandra, 17, chegaram a procurá-lo no IML (Instituto Médico Legal) em Manaus. Ele foi encontrado vivo na segunda.
Disse que viajava na proa do barco. "Não estava chovendo. Quando passamos no rebojo [remoinho], o barco virou. Pulei, comecei a nadar, fui parar na moita de capim. Foi minha salvação."
Monteiro afirmou que não se feriu nem foi mordido por peixes. "Fiquei agarrado ao capim. Só lembrava da minha mãe. Pedi por Deus. Tinha hora que eu não sabia o que fazer", disse ele, que não bebeu água do rio e ficou debaixo de "muito sol". "Estava muito cansado. Senti muita fome e muita sede."
O rapaz calcula que passava das 13h de segunda quando foi encontrado. "Comecei a chorar. Nunca mais vou esquecer isso, nasci de novo."
Monteiro estima que muitos passageiros morreram porque estavam em pé no convés superior. Dez pessoas ainda estão desaparecidas, segundo a Marinha. Entre elas, Sherllys Cruz, 18, que o pai, o vendedor de churrasquinho Alcemir, ainda procurava na última sexta. (KB)
Jornal do Brasil Número de mortos chega a 48
Mais dois corpos de passageiros são encontrados nas águas do Solimões
Mais dois corpos de vítimas do naufrágio ocorrido no rio Solimões (AM), no último dia 4, foram encontrados ontem. Os corpos são de um homem e uma mulher. Os corpos serão encaminhados ao Instituto Médico Legal do Amazonas, onde as famílias dos desaparecidos deverão realizar o reconhecimento. Se confirmadas as identidades dos dois corpos encontrados, cai para 5 o número de desaparecidos, e sobe para 48 o número de corpos resgatados até o momento.
Segundo José Melo, secretário estadual de Governo, três pessoas que tinham seus nomes na lista de desaparecidos não estavam na embarcação, e foram encontradas ainda com vida.
O acidente aconteceu na localidade de Lago do Pesqueiro, na cidade de Manacapuru, a 84 km a oeste de Manaus, aproximadamente 20 minutos depois que a embarcação Comandante Sales 2008 partiu de Lago, onde ocorria uma Festa do Divino. O barco tombou para um lado e foi invadido pela água.
De acordo com o coronel Roberto Rocha, da Defesa Civil estadual, as buscas devem continuar até terça-feira.
Na última quinta-feira, o delegado Antônio Rodrigues, responsável pelo caso, confirmou que há indícios de que o acidente tenha sido causado por excesso de pessoas na embarcação.
– Há pessoas que disseram ter até 150 passageiros – afirmou.
A capacidade do Comandante Sales, um barco de madeira com dois andares e cerca de 20 metros de comprimento, era de 50 pessoas. A embarcação não estava regularizada na Capitania dos Portos.
Segundo ele, todos os sobreviventes relatam superlotação no barco.
O Estado de São Paulo Liberada rodovia bloqueada pelos índios em RR
PF obedece a decisão do Supremo e desmonta barreira feita por grupo que exige a expulsão dos arrozeiros
Loide Gomes
A Polícia Federal liberou ontem a Rodovia RR-319, na terra indígena Raposa Serra do Sol, a 105 quilômetros de Boa Vista, que estava bloqueada desde segunda-feira por indígenas que exigem a expulsão dos arrozeiros da reserva. A ação da PF atendeu a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto ao Ministério da Justiça.
O procurador-geral de Roraima, Luciano Queiroz, disse que entrou com ação no STF, em nome do Estado, sábado. “E o ministro despachou às 21 horas, de sua casa, em Brasília.” Britto é relator das ações no STF que contestam a homologação da Raposa Serra do Sol em área contínua, o que obrigaria à retirada de todos os não-índios. O governo de Roraima quer a reserva em ilhas, com preservação das fazendas de arroz.
No momento em que a PF cumpria a determinação do STF, o juiz Helder Girão Barreto, da Justiça Federal de Roraima, ordenou a liberação da rodovia, conhecida como Transarrozeira. Ele concedeu liminar em ação ajuizada pelo arrozeiro Ivo Barilli, dono da Fazenda Tatu, que fica a 25 quilômetros da barreira e estava isolada.
Barilli não podia transportar de insumos e sementes para a fazenda nem retirar sacas de arroz. Ele tinha cinco carretas paradas na rodovia e calculava que 2.500 sacas de arroz já tinham sido perdidas. Ontem à noite mesmo o arrozeiro conseguiu entrar na fazenda e as carretas foram para Boa Vista.
À tarde, o superintendente da PF, José Maria Fonseca, já fora até a barreira para negociar. Segundo Fonseca, os índios exigiram mais policiamento para evitar tráfego de pessoas armadas e “disseram que há pessoas transitando com carabinas, em caminhonetes.” Ele informou que vai reforçar o efetivo da PF num posto na área.
O procurador-geral de Roraima contou que pediu ainda ao STF que proíba novos bloqueios até a decisão definitiva sobre as ações que contestam a Serra do Sol, que deve sair em duas semanas. “Se o próprio poder estatal foi proibido de retirar não-índios da reserva, alguns índios não podem se revestir do poder de polícia, obstruir uma rodovia e impedir o direito de ir e vir em área que ainda não foi definida se é ou não terra indígena.” Queiroz disse que entrou com ação pedindo o desbloqueio depois de tentativas fracassadas de acordo com os índios.
A tensão cresceu na região durante a semana. Além da barreira, funcionários da Fazenda Depósito dispararam contra índios que tentavam ocupar uma área na terça-feira, ferindo nove deles. O dono da fazenda, Paulo César Quartiero, foi preso e levado a Brasília. Ele é prefeito de Pacaraima e líder dos arrozeiros. Sua prisão provocou protestos de índios contrários à reserva. Surumu, distrito de Pacaraima, foi um dos locais que recebeu reforço da PF e da Força Nacional de Segurança.
O Estado de São Paulo MANACAPURU – AM
Número de mortos sobe para 48
Foram encontrados ontem mais dois corpos no Rio Solimões, o que eleva para 48 o número de mortos no naufrágio do Comandante Sales 2008, que ocorreu no dia 4. O barco naufragou nas proximidades de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus). Os corpos encontrados são de um homem e de uma mulher. Segundo informações da Marinha, a embarcação navegava irregularmente.
O Globo Navio de ajuda afunda em Mianmar
Mortos chegam a 28 mil e podem aumentar se alimentos não chegarem
RANGUN. Um barco da Cruz Vermelha que transportava arroz e água potável para as vítimas do ciclone Nargis afundou ontem, no mesmo dia em que especialistas alertavam para o risco de uma grande catástrofe humanitária em Mianmar caso as vítimas não recebessem alimentos. O número oficial de mortos alcançou 28 mil (ONGs dizem que pode chegar a 80 mil), mas, segundo autoridades humanitárias, poderia triplicar se a ajuda não chegasse logo.
O barco levava mantimentos para mais de mil pessoas e constituía o primeiro embarque da Cruz Vermelha para a área do desastre, informou a instituição. Os quatro funcionários que viajavam no barco nada sofreram.
O naufrágio é o mais recente retrocesso na distribuição de alimentos. Ainda que a ajuda internacional tenha começado a chegar lentamente, as autoridades locais proibiram a entrada de quase todos os profissionais estrangeiros. A junta militar que preside o país quer que a distribuição das doações seja feita pelo próprio governo.
O navio levava cem sacos de arroz, 1.300 galões de água potável, dez mil pastilhas para purificação de água e 30 caixas de roupas. O naufrágio ocorreu depois de um choque com um tronco. Pouca coisa se salvou.
A televisão estatal de Mianmar anunciou ontem que o número de mortos na tragédia subiu de cinco mil a 28.458, uma semana depois da passagem do ciclone pelas principais cidades do país.
A televisão estatal disse ainda que o número de desaparecidos baixou para 33.416. Para muitos especialistas em ajuda humanitária, os números poderiam aumentar consideravelmente.
- É vital que a população tenha acesso a recursos como água potável afim de evitar que ocorram mortes desnecessárias e sofrimento - afirmou a chefe regional da ONG Oxfam, Sarah Ireland. - Estão presentes todos os fatores necessários para que a situação se torne uma catástrofe de saúde pública, que poderia multiplicar o número de mortos por 15.
Corpos de mais duas vítimas de naufrágio são localizados
Pescadores localizaram ontem, no rio Solimões, mais dois corpos de passageiros do barco Comandante Sales, que naufragou no último dia 6, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus), elevando para 48 o número de mortos no acidente.
Estima-se que ainda haja seis pessoas desaparecidas -o número é incerto porque o barco estava em situação irregular e não havia lista de passageiros. Ontem, o Corpo de Bombeiros informou que dois supostos passageiros que eram dados como desaparecidos estão vivos e não participaram da viagem.
A Defesa Civil de Manacapuru anunciou que a polícia investiga a suspeita de que dois tripulantes do barco estejam vivos. Eles são irmãos do dono da embarcação, morto no acidente.
"É quase certo que eles não tenham morrido, mas não estariam no município por temerem represálias", disse a secretária da Ação Social do município, Marta Régis.
Segundo os bombeiros, os dois corpos localizados ontem estavam a 80 quilômetros de distância um do outro. (KÁTIA BRASIL)
Folha de São Paulo SANTA CATARINA
Bombeiros cessam buscas por padre que voou em balões
Bombeiros encerraram ontem as buscas pelo padre Adelir Antônio de Carli, 41, desaparecido desde o dia 21, após levantar vôo amarrado a balões de festa, em Paranaguá (96 km de Curitiba).
Desde então, bombeiros voluntários de Penha (120 km de Florianópolis), região onde restos de balões usados pelo padre foram encontrados, trabalharam por mais de 20 dias seguidos em busca de pistas. Cerca de 90 bombeiros cumpriram 120 horas de buscas por terra, água e ar.
Ele fez o último contato por rádio, com bombeiros, em São Francisco do Sul (SC). "O que tinha que ser feito foi feito. Não acho que podemos localizá-lo nessa região", disse o comandante das operações, Johnny Coelho. Lanchas e helicópteros da polícia e de empresários foram usados nos trabalhos.
A Marinha já havia encerrado as buscas ao padre no último dia 26. Apesar do fim das buscas, integrantes da Pastoral Rodoviária, projeto de apoio a caminhoneiros idealizado pelo padre, afirmam ainda ter esperanças de que o religioso esteja vivo. (MATHEUS PICHONELLI)
Folha de São Paulo Barco ignora risco e viaja no escuro para fugir de fiscal
Folha fez viagem semelhante a que acabou em naufrágio no domingo passado. Barco com salva-vidas rasgados e sem lista de passageiros só saiu do porto irregular quando lanchas da Marinha foram embora
KÁTIA BRASIL
Cruzar os rios da Amazônia em barcos que ligam as cidades ribeirinhas é viver sob risco de naufrágio. Imprudentes, donos das embarcações driblam a fiscalização da Marinha com conivência de passageiros. Quem ousa reclamar perde o direito de seguir viagem.
No domingo passado, um barco superlotado e em situação irregular naufragou no rio Solimões, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus). Até ontem à tarde, 46 corpos de vítimas haviam sido resgatados. Dez pessoas ainda estariam desaparecidas.
Para verificar as condições dessas viagens, a reportagem tomou um barco em Manaus na última quinta-feira. O destino: Manacapuru, a cidade do acidente de domingo. Sete horas rio Solimões acima separavam os municípios.
O trajeto começa no maior porto irregular do Amazonas, as escadarias da avenida Manaus Moderna. Às margens do rio Negro, camelôs, carregadores, comerciantes de passagens e pescadores dividem espaço em um ambiente poluído.
A repórter e o repórter-fotográfico compram, por R$ 15 cada um, bilhetes para o percurso na embarcação Capitão Antônio. Com dois andares em madeira, o barco é semelhante ao acidentado no Solimões, o Comandante Sales.
Com início marcado para 17h, a viagem só começou às 18h15, quando duas lanchas da Marinha finalizaram o expediente. "As baratinhas [lanchas da Marinha] estão ali, vamos esperar um pouco", disse um passageiro a Argemiro Auzier, 63, o comandante do Capitão Antônio.
Tem lista de passageiros
Dentro do barco, com capacidade para 60 pessoas, outra irregularidade é notada logo no início da viagem: não havia lista dos 22 passageiros, que se acomodavam em redes atadas aos conveses.
O mesmo ocorreu com a embarcação Comandante Sales, daí a dificuldade de precisar o número de desaparecidos até agora.
Com cinco tripulantes e um cachorro, o Capitão Antônio tem apenas um banheiro, fétido. Carregava oito toneladas de mercadorias (abaixo da capacidade máxima, de 20 toneladas) entre alimentos e materiais de construção. Os salva-vidas, fabricados em 2003, estavam vencidos, sem apitos e rasgados.
Mesmo antes de desatracar, Auzier e o dono do barco, Antônio Macena, questionaram a Folha sobre o objetivo da reportagem. Preocupados, diziam não querer "problemas com a Marinha".
O comandante, único a conceder entrevista, disse que o barco estava em situação legal. Afirmou conhecer bem "99% dos rios do Amazonas". Para ele, acidentes como o de domingo passado só ocorrem por "imprudência do comandante, bebida e problemas no motor".
Durante o percurso, os procedimentos não foram o de uma viagem regular.
No escuro
Logo que escureceu, Macena mandou apagar as luzes do barco. O repórter-fotográfico acendeu uma lâmpada no convés superior, rapidamente desligada por outro passageiro.
No breu do rio Solimões, o barco fica quase invisível aos olhos dos fiscais. Até Manacapuru, o Capitão Antônio percorreu vilas, ultrapassou dezenas de embarcações, enfrentou ondas provocadas por outros barcos, bancos de areia e remoinhos sem acender as luzes dos conveses.
A única parada foi em Iranduba (25 km de Manaus), às 21h, para compra de gás, cervejas e refrigerantes em um porto flutuante.
A maior parte dos passageiros eram parentes da autônoma Waldilene da Silva, 29, que seguiam para uma festa em Caapiranga. Com exceção de duas adolescentes no grupo de 12 pessoas, todos bebiam sem parar ao som do brega, gênero popular no Norte do país. "Conhecemos o dono do barco e nos sentimos seguros", disse Waldilene.
Por volta da 1h30, o barco atracou em Manacapuru. Não havia qualquer fiscalização da Marinha. A reportagem desceu no porto.
Nas paredes do Capitão Antônio, sem informações sobre a empresa dona do barco ou dados sobre lotação, apenas uma placa com a frase: "Deus abençoe quem entra nesse barco, proteja quem fica e leva em paz quem sai".
Folha de São Paulo Barcos de porto ilegal levam 90% dos passageiros
No centro antigo da capital amazonense, as escadarias da avenida Manaus Moderna, às margens do rio Negro, formam o maior porto ilegal do Amazonas. É o ponto de partida da viagem feita pela Folha até Manacapuru, a 84 km dali. Estima-se que mil embarcações atraquem por dia no local. Elas transportam 90% dos 180 mil passageiros que trafegam por mês pelos rios Negro e Solimões, que formam o Amazonas.
Quando o rio Negro está cheio, passageiros têm de sujar os pés na água poluída, atravessar passarelas improvisadas de madeira e balsas para acessar os barcos. Nas passarelas, o que se vê é um entra-e-sai de gente à procura de embarcações, candidatos a passageiros que se misturam a camelôs, carregadores, barqueiros e pescadores. Todos trabalhando em condições insalubres.
As passagens são vendidas nos barcos ou em bancas ao longo da chamada Feira da Banana. Os destinos são os 62 municípios amazonenses, além de cidades no Pará e em Rondônia. Em cima das balsas, camelôs vendem lanches e bebidas alcóolicas. À noite, o local vira ponto de prostituição e de tráfico de drogas.
A 50 metros do ponto clandestino, fica um porto legal, a Estação Hidroviária do Porto de Manaus, que atende somente 4.775 passageiros por mês. Como as passagens ali são mais caras, os clientes preferem as escadarias da Manaus Moderna, onde os barcos atracados não pagam taxas.
A diferença de preço das passagens nos dois portos chega a 20%. Para Coari (370 km de Manaus), por exemplo, o bilhete sai por R$ 72 no porto, contra R$ 60 nas escadarias.
"Infelizmente isso [predomínio do transporte informal] é uma realidade cultural e social", afirma Carlos Alexandre De Carli, diretor-presidente do Porto de Manaus.
Folha de São Paulo Em choque, sobrevivente não se lembra de nomes nem idade
O jovem que foi resgatado 24 horas após o naufrágio do barco Comandante Sales, no rio Solimões, em Manacapuru (AM), na madrugada do último domingo, ainda está em estado de choque. Esquece a data do nascimento, os nomes dos amigos.
A reportagem o encontrou em casa na última sexta, onde agora ele passa a maior parte do tempo.
Leandro Souza Monteiro, 22, foi achado por pescadores agarrado a uma moita de capim no rio. No momento, disse que tinha 18 anos. "Não lembro a data do meu nascimento."
O rapaz é trabalhador rural e estudou até a terceira série do ensino fundamental. Mora numa palafita na periferia. Sua mãe, Sandra Monteiro, 40, e a irmã, Alessandra, 17, chegaram a procurá-lo no IML (Instituto Médico Legal) em Manaus. Ele foi encontrado vivo na segunda.
Disse que viajava na proa do barco. "Não estava chovendo. Quando passamos no rebojo [remoinho], o barco virou. Pulei, comecei a nadar, fui parar na moita de capim. Foi minha salvação."
Monteiro afirmou que não se feriu nem foi mordido por peixes. "Fiquei agarrado ao capim. Só lembrava da minha mãe. Pedi por Deus. Tinha hora que eu não sabia o que fazer", disse ele, que não bebeu água do rio e ficou debaixo de "muito sol". "Estava muito cansado. Senti muita fome e muita sede."
O rapaz calcula que passava das 13h de segunda quando foi encontrado. "Comecei a chorar. Nunca mais vou esquecer isso, nasci de novo."
Monteiro estima que muitos passageiros morreram porque estavam em pé no convés superior. Dez pessoas ainda estão desaparecidas, segundo a Marinha. Entre elas, Sherllys Cruz, 18, que o pai, o vendedor de churrasquinho Alcemir, ainda procurava na última sexta. (KB)
Jornal do Brasil Número de mortos chega a 48
Mais dois corpos de passageiros são encontrados nas águas do Solimões
Mais dois corpos de vítimas do naufrágio ocorrido no rio Solimões (AM), no último dia 4, foram encontrados ontem. Os corpos são de um homem e uma mulher. Os corpos serão encaminhados ao Instituto Médico Legal do Amazonas, onde as famílias dos desaparecidos deverão realizar o reconhecimento. Se confirmadas as identidades dos dois corpos encontrados, cai para 5 o número de desaparecidos, e sobe para 48 o número de corpos resgatados até o momento.
Segundo José Melo, secretário estadual de Governo, três pessoas que tinham seus nomes na lista de desaparecidos não estavam na embarcação, e foram encontradas ainda com vida.
O acidente aconteceu na localidade de Lago do Pesqueiro, na cidade de Manacapuru, a 84 km a oeste de Manaus, aproximadamente 20 minutos depois que a embarcação Comandante Sales 2008 partiu de Lago, onde ocorria uma Festa do Divino. O barco tombou para um lado e foi invadido pela água.
De acordo com o coronel Roberto Rocha, da Defesa Civil estadual, as buscas devem continuar até terça-feira.
Na última quinta-feira, o delegado Antônio Rodrigues, responsável pelo caso, confirmou que há indícios de que o acidente tenha sido causado por excesso de pessoas na embarcação.
– Há pessoas que disseram ter até 150 passageiros – afirmou.
A capacidade do Comandante Sales, um barco de madeira com dois andares e cerca de 20 metros de comprimento, era de 50 pessoas. A embarcação não estava regularizada na Capitania dos Portos.
Segundo ele, todos os sobreviventes relatam superlotação no barco.
O Estado de São Paulo Liberada rodovia bloqueada pelos índios em RR
PF obedece a decisão do Supremo e desmonta barreira feita por grupo que exige a expulsão dos arrozeiros
Loide Gomes
A Polícia Federal liberou ontem a Rodovia RR-319, na terra indígena Raposa Serra do Sol, a 105 quilômetros de Boa Vista, que estava bloqueada desde segunda-feira por indígenas que exigem a expulsão dos arrozeiros da reserva. A ação da PF atendeu a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto ao Ministério da Justiça.
O procurador-geral de Roraima, Luciano Queiroz, disse que entrou com ação no STF, em nome do Estado, sábado. “E o ministro despachou às 21 horas, de sua casa, em Brasília.” Britto é relator das ações no STF que contestam a homologação da Raposa Serra do Sol em área contínua, o que obrigaria à retirada de todos os não-índios. O governo de Roraima quer a reserva em ilhas, com preservação das fazendas de arroz.
No momento em que a PF cumpria a determinação do STF, o juiz Helder Girão Barreto, da Justiça Federal de Roraima, ordenou a liberação da rodovia, conhecida como Transarrozeira. Ele concedeu liminar em ação ajuizada pelo arrozeiro Ivo Barilli, dono da Fazenda Tatu, que fica a 25 quilômetros da barreira e estava isolada.
Barilli não podia transportar de insumos e sementes para a fazenda nem retirar sacas de arroz. Ele tinha cinco carretas paradas na rodovia e calculava que 2.500 sacas de arroz já tinham sido perdidas. Ontem à noite mesmo o arrozeiro conseguiu entrar na fazenda e as carretas foram para Boa Vista.
À tarde, o superintendente da PF, José Maria Fonseca, já fora até a barreira para negociar. Segundo Fonseca, os índios exigiram mais policiamento para evitar tráfego de pessoas armadas e “disseram que há pessoas transitando com carabinas, em caminhonetes.” Ele informou que vai reforçar o efetivo da PF num posto na área.
O procurador-geral de Roraima contou que pediu ainda ao STF que proíba novos bloqueios até a decisão definitiva sobre as ações que contestam a Serra do Sol, que deve sair em duas semanas. “Se o próprio poder estatal foi proibido de retirar não-índios da reserva, alguns índios não podem se revestir do poder de polícia, obstruir uma rodovia e impedir o direito de ir e vir em área que ainda não foi definida se é ou não terra indígena.” Queiroz disse que entrou com ação pedindo o desbloqueio depois de tentativas fracassadas de acordo com os índios.
A tensão cresceu na região durante a semana. Além da barreira, funcionários da Fazenda Depósito dispararam contra índios que tentavam ocupar uma área na terça-feira, ferindo nove deles. O dono da fazenda, Paulo César Quartiero, foi preso e levado a Brasília. Ele é prefeito de Pacaraima e líder dos arrozeiros. Sua prisão provocou protestos de índios contrários à reserva. Surumu, distrito de Pacaraima, foi um dos locais que recebeu reforço da PF e da Força Nacional de Segurança.
O Estado de São Paulo MANACAPURU – AM
Número de mortos sobe para 48
Foram encontrados ontem mais dois corpos no Rio Solimões, o que eleva para 48 o número de mortos no naufrágio do Comandante Sales 2008, que ocorreu no dia 4. O barco naufragou nas proximidades de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus). Os corpos encontrados são de um homem e de uma mulher. Segundo informações da Marinha, a embarcação navegava irregularmente.
O Globo Navio de ajuda afunda em Mianmar
Mortos chegam a 28 mil e podem aumentar se alimentos não chegarem
RANGUN. Um barco da Cruz Vermelha que transportava arroz e água potável para as vítimas do ciclone Nargis afundou ontem, no mesmo dia em que especialistas alertavam para o risco de uma grande catástrofe humanitária em Mianmar caso as vítimas não recebessem alimentos. O número oficial de mortos alcançou 28 mil (ONGs dizem que pode chegar a 80 mil), mas, segundo autoridades humanitárias, poderia triplicar se a ajuda não chegasse logo.
O barco levava mantimentos para mais de mil pessoas e constituía o primeiro embarque da Cruz Vermelha para a área do desastre, informou a instituição. Os quatro funcionários que viajavam no barco nada sofreram.
O naufrágio é o mais recente retrocesso na distribuição de alimentos. Ainda que a ajuda internacional tenha começado a chegar lentamente, as autoridades locais proibiram a entrada de quase todos os profissionais estrangeiros. A junta militar que preside o país quer que a distribuição das doações seja feita pelo próprio governo.
O navio levava cem sacos de arroz, 1.300 galões de água potável, dez mil pastilhas para purificação de água e 30 caixas de roupas. O naufrágio ocorreu depois de um choque com um tronco. Pouca coisa se salvou.
A televisão estatal de Mianmar anunciou ontem que o número de mortos na tragédia subiu de cinco mil a 28.458, uma semana depois da passagem do ciclone pelas principais cidades do país.
A televisão estatal disse ainda que o número de desaparecidos baixou para 33.416. Para muitos especialistas em ajuda humanitária, os números poderiam aumentar consideravelmente.
- É vital que a população tenha acesso a recursos como água potável afim de evitar que ocorram mortes desnecessárias e sofrimento - afirmou a chefe regional da ONG Oxfam, Sarah Ireland. - Estão presentes todos os fatores necessários para que a situação se torne uma catástrofe de saúde pública, que poderia multiplicar o número de mortos por 15.
Wednesday, May 07, 2008
Outros exercícios
Nelson de Sá
Não é só com a Marinha dos EUA que o Brasil faz operações no Atlântico Sul. Os indianos "Hindu" e "Economic Times" deram que "o eixo trilateral" Índia, Brasil e África do Sul iniciou na segunda um exercício naval de dez dias, na costa da Cidade do Cabo. Envolvendo navios, submarinos e aviões, "visa a enfrentar o terrorismo no mar".
Folha de São Paulo Antes de sair, Putin fecha acordo nuclear com EUA
Presidente russo entrega hoje o cargo a Medvedev
Um dia antes de entregar o cargo de presidente da Rússia ao aliado Dmitri Medvedev, Vladimir Putin tomou ontem mais uma medida estratégica de última hora ao assinar um acordo de cooperação nuclear civil com os Estados Unidos.
O documento abre uma nova era na parceria tecnológica e comercial russo-americana e sinaliza um apaziguamento na relação bilateral, abalada entre outras razões pela recusa de Moscou em confrontar o programa nuclear iraniano.
O principal objetivo do acordo é ampliar o comércio nuclear bilateral entre empresas das duas maiores potências atômicas do mundo, abrindo caminho para a criação de joint ventures no setor.
O acordo facilitará o acesso dos americanos a enormes reservas de urânio na Rússia e permitirá aos russos penetrarem no mercado de energia nuclear dos EUA. Até agora, a Rússia não tinha acesso direto a esse atrativo segmento de negócios nos EUA.
O pacto também pode ajudar a Rússia a estabelecer uma instalação internacional para estocar combustível nuclear. Haveria dificuldade para fazer isso sem o apoio dos EUA, país que controla a maior parte do combustível nuclear mundial.
"O valor potencial desse acordo é o valor de todos os contratos que podem ser assinados entre as empresas dos dois países na esfera nuclear, que é obviamente de bilhões de dólares", disse uma fonte russa.
Em outra decisão estratégica tomada às vésperas de entregar o cargo, Putin havia promulgado anteontem uma lei que restringe os investimentos estrangeiros em setores estratégicos da economia nacional, como a indústria de armamento e os meios de comunicação.
Segundo a nova lei, as companhias estrangeiras precisarão de autorização oficial para poder comprar mais de 50% das ações de uma companhia estratégica russa.
Herança
Proibido por lei de concorrer a um terceiro mandato, Putin, 55, deixa hoje a Presidência russa após oito anos de gestão com aprovação de 70%. Ele é considerado responsável pelo fim do caos causado pela desintegração da União Soviética e mentor da recuperação da Rússia como potência geopolítica.
Putin continuará tendo grande influência na política russa, já que ele será o primeiro-ministro de Medvedev, que será empossado hoje em grandiosa cerimônia no Kremlin.
Com agências internacionais
Folha de São Paulo Painel do Leitor
Exército
"A respeito do artigo "Em busca da crise" (Brasil, 24/4), o Centro de Comunicação Social do Exército ressalta que o Brasil tem um histórico respeitável no que diz respeito à participação em missões de paz.
Essa participação inclui desde o envio de observadores e assessores militares até a participação mais efetiva com contingentes militares completos, como é o caso no Haiti.
O contingente brasileiro no Haiti é substituído a cada período de seis meses, conforme memorandos de entendimento entre as partes envolvidas e a ONU. A missão não tem prazo previsto para término. Ela é renovada a cada contingente, de acordo com a solicitação do Haiti, a aprovação da ONU e a aceitação por parte do governo brasileiro. Em maio próximo, terá início o rodízio do oitavo para o nono contingente.
Quanto ao cargo de "Force Commander", citado no artigo, que vem sendo exercido por brasileiros desde o início da missão no Haiti, o período de permanência previsto pela ONU -assim como de outros assessores de origem multinacional- é de um ano, diferentemente do da tropa. Em casos excepcionais, e quando solicitado pela a ONU, há a permanência do oficial-general além daquele prazo.
As atividades realizadas pelos brasileiros integrantes do Exército representam um esforço histórico de cooperação do país com a paz mundial. A missão no Haiti é a única -entre aquelas da ONU que visam à imposição de paz- que detém alto índice de aprovação por parte da população local (cerca de 78%)."
ADHEMAR DA COSTA MACHADO FILHO, general-de-divisão, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército (Brasília, DF)
Resposta do jornalista Janio de Freitas
- Não há, no artigo citado, uma só palavra contrária ou a respeito dos conceitos contidos na carta acima.
Jornal do Brasil Naufrágio já matou 34 no Rio Solimões
Passageiros desaparecidos ainda são cerca de 20, s
MANAUS
Subiu para 34 o número de mortos no naufrágio do barco Comandante Sales, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus), na madrugada de domingo. Somente ontem 17 corpos foram localizados nos rios Solimões e Amazonas. De acordo com a Polícia Civil, ainda há de 10 a 20 pessoas desaparecidas. As vítimas localizadas até agora são 17 homens, 16 mulheres e um menino de cerca de um ano.
O comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, Antônio dos Santos, disse que já era esperado que mais corpos começassem a boiar após 48 horas do acidente, já que as águas do rio Solimões são frias, o que favorece a conservação dos cadáveres.
– Em águas mais quentes a deterioração do corpo é maior e eles vão à tona em cerca de 24 horas – explicou Santos.
A maior parte dos corpos foi encontrada na região onde o barco de madeira tombou. Dois dos corpos, contudo, foram localizados a cerca de 50 km do local do naufrágio, já no rio Amazonas, nas imediações de Manaus.
Por conta da localização distante desses corpos, equipes de buscas montaram uma barreira' com lanchas no local para tentar evitar, visualmente, que corpos sejam levados pela correnteza do rio. O raio das buscas foi estendido para até 60 km do ponto do acidente.
Ontem, cerca de cem integrantes da Marinha e do Corpo de Bombeiros trabalhavam nas buscas. Um helicóptero da Marinha também foi usado na operação.
Até o início da noite, apenas os 17 corpos localizados entre o último domingo e segunda-feira haviam sido identificados. Os outros 17 permaneciam no Instituto Médico Legal em Manaus, para reconhecimento.
Investigação
O delegado Antônio Rodrigues disse que peritos iniciam hoje a perícia no barco, que possui dois andares e cerca de 20 metros de comprimento. Segundo o delegado, a causa mais provável do acidente foi excesso de passageiros, o que teria impossibilitado a embarcação de passar por um remoinho (movimento em círculo causado pelo cruzamento de ondas ou ventos), causando seu tombamento.
A capacidade do barco era de 50 pessoas. De acordo com estimativas do Corpo de Bombeiros, estaria transportando cerca de 80 no momento do acidente. A maioria participava de uma festa religiosa na comunidade Lago do Pesqueiro. Segundo a Marinha, o barco estava em situação irregular.
Segundo Rodrigues, ainda é difícil saber quantas pessoas sobreviveram ao acidente, devido ao grande número de barcos que ajudaram no resgate. A estimativa, segundo ele, é de cerca de 50 sobreviventes.
Jornal do Brasil Bahia: destroços do bimotor são achados
Equipes de resgate confirmaram ontem ter encontrado destroços do bimotor Cessna C-130 Q desaparecido desde o final da tarde de sexta-feira no litoral sul da Bahia. A aeronave transportava quatro empresários ingleses, além do piloto e do co-piloto. Ninguém foi encontrado. Segundo o capitão da PM e coordenador da operação de busca por terra, os objetos foram guardados e examinados na manhã de ontem. As buscas aos passageiros e tripulantes foram retomadas hoje, com ajuda da Marinha
Jornal do Brasil COLUNA GILBERTO AMARAL
Alto comando /Temporão no Senado/Ano polar
Gilberto Amaral
Alto comando
Foi transferida para o fim de maio, a reunião do Alto Comando do Exército. O comandante Enzo Martins Peri vai tratar com os quatro-estrelas de assuntos administrativos. Na próxima reunião deverá haver promoções.
Temporão no Senado
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai hoje ao Senado fazer uma prestação de contas sobre as iniciativas de seu ministério na luta de combate à dengue em território nacional.
No caso específico do Rio, há que se reconhecer o esforço das Forças Armadas, junto com os setores diretamente responsáveis do governo, para conseguir o controle do surto epidêmico.
Ano polar
O Congresso realiza sessão solene conjunta, nesta quinta-feira, às 10h, para comemorar a primeira participação do Brasil no 4º Ano Polar Internacional, que reúne um conjunto de ações científicas no Ártico e na Antártica. O programa envolve mais de 200 projetos, com milhares de cientistas de mais de 60 países que analisam uma série de tópicos nas áreas da física, da biologia e da pesquisa social
O Estado de São Paulo Chegam a 34 os mortos em naufrágio
MPE diz que pode bloquear bens de donos para pagar indenizações; Lula diz que ‘ganância’ causou tragédia
André Alves
O prefeito de Manacapuru, Washington Régis, afirmou ontem que o número de vítimas do naufrágio do barco Comandante Sales 2008 pode chegar a 50. Até ontem, 34 corpos haviam sido resgatados. Após o cruzamento de dados colhidos pelo serviço social da prefeitura com informações da Polícia Civil, chegou-se à conclusão de que ainda há pelo menos 20 pessoas desaparecidas.
Ontem, equipes do Corpo de Bombeiros e da Marinha encontraram mais 17 corpos (6 mulheres, 10 homens e 1 criança do sexo masculino). Desses, 2 foram encontrados flutuando no encontro das águas dos Rios Negro e Solimões, a pelo menos 30 quilômetros do local do acidente. As equipes de resgate trabalham numa extensão de 60 quilômetros à procura dos corpos de outras vítimas.
“Os corpos estão começando a boiar” , comentou o prefeito de Manacapuru, cidade onde residiam todas as vítimas do acidente. Na tarde de segunda-feira, 17 pessoas foram sepultadas no município. O barco Comandante Sales 2008 naufragou na madrugada do domingo, no Rio Solimões, interior do Amazonas.
Promotores do Ministério Público do Amazonas anunciaram que vão acompanhar as investigações sobre as causas do naufrágio. A apuração está sendo conduzida pela Capitania dos Portos e pela 1ª Delegacia Regional de Manacapuru. Um dos representantes da comissão, o promotor Agnaldo Concy, lamentou a falta de dados precisos sobre o número de passageiros do barco. “Até o momento, o único número de que dispomos é o de vítimas registradas no IML (Instituto Médico-Legal).”
Concy ressaltou que esses dados “são importantíssimos” para ajudar as famílias das vítimas a requererem indenização dos proprietários do barco. Um deles, Francisco Sales, morreu no acidente. Segundo o MPE, os bens de Sales podem ser bloqueados pela Justiça e posteriormente repassados às famílias. Estima-se que 80 a 100 pessoas estivessem na embarcação no momento do acidente.
Em visita oficial ao Amazonas, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que os próprios passageiros de embarcações exijam segurança, embora tenha admitido que já viajou em embarcações “com caixa-d’água com peixe, bode, cavalo, com um palmo de água pra entrar, com tudo dentro”. “Mas as pessoas precisam autofiscalizar-se. Ninguém pode jogar sua vida numa embarcação que não tenha as condições adequadas”, afirmou. “Quando um cidadão ganancioso pensa em ganhar dinheiro alugando um barco, colocando mais gente do que deveria colocar, sem a segurança ideal, esse cidadão está cometendo crime contra o povo.”
O Estado de São Paulo Venezuela busca compra de submarinos da Rússia
Roberto Godoy
O presidente Hugo Chávez, da Venezuela, vai assinar essa semana, em Moscou, o contrato inicial de US$ 800 milhões para a compra dos primeiros quatro submarinos, de um provável lote de nove modelos da classe Kilo-2, considerados “muito silenciosos e furtivos”, de acordo com o chefe do estaleiro Rubin, engenheiro Yuri Kormilitsin.
A negociação foi anunciada pelo principal jornal de economia do país, o Kommersant. Chávez está na Rússia para assistir à posse, hoje, do novo presidente, Dmitri Medvedev (leia na pág. 14).
O valor total estimado da operação é de US$ 2,4 bilhão, com o armamento e o recheio eletrônico. A agência russa para venda de equipamentos e sistemas militares, a Rosoboronexport, admitiu as “discussões comerciais”. O Kilo 2-636 é a última geração de uma herança da Guerra Fria. Na prática, é um novo navio de combate. É um modelo médio, que desloca 4.000 toneladas submerso, e veloz, operando na faixa de 25 nós, com autonomia de 13,5 mil km. Não há igual na América Latina - mesmo o novo submarino convencional brasileiro, o francês Scórpene, é menor, com 1.700 toneladas. O armamento é composto por 20 torpedos de 533 mm, 24 minas e 18 mísseis: 16 antiaéreos leves Igla e Strela, para atingir alvos voando baixo, entre 4,2 km e 5,5 km; mais 2 Oniks, de cruzeiro.
Duas das seis câmaras disparadoras dianteiras foram preparadas para receber o torpedo de alto desempenho e médio alcance Shkval-E. Lançado dentro de uma de bolha de ar comprimido, viaja por 13 km levando 210 quilos de explosivos a 400 km/h.
O Globo Amorim: continente rejeita separatismo
Em nome dos vizinhos, chanceler diz que autonomia na Bolívia deve ser negociada com o governo
Eliane Oliveira*
BRASÍLIA. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem, após se reunir com o chanceler uruguaio, Gonzalo Fernández, que as nações sul-americanas jamais aceitariam o separatismo na Bolívia, como resultado do referendo realizado no último domingo em Santa Cruz e dos que estão por vir em outros departamentos. A autonomia, defendeu o ministro, deve ser negociada com La Paz.
- Não creio que haja separatismo. Até porque a América do Sul não aceitaria isso - disse Amorim.
Ele frisou que o Brasil não se posicionaria contra o desejo de autonomia, desde que se respeitem os princípios constitucionais e seja da vontade do povo boliviano. Segundo o ministro, é preciso que o estatuto que foi votado em Santa Cruz esteja de acordo com a Constituição em vigor no país.
O ministro defendeu um amplo acordo na Bolívia.
- É perfeitamente possível restabelecer o diálogo com a ajuda da Igreja, da OEA (Organização dos Estados Americanos) e dos países amigos - disse Amorim, referindo-se ao Grupo de Amigos da Bolívia, formado por Brasil, Argentina e Colômbia. - O que temos que fazer é trabalhar de maneira coordenada, para irmos todos no mesmo sentido. Neste momento, temos de encontrar uma maneira de restabelecer o diálogo e é nisso que estamos empenhados. Mas com discrição, sem impor nada. Não podemos nos esquecer de que, nesse caso, o grupo de amigos foi uma sugestão inicial do próprio governo boliviano.
União Européia mostra sintonia com o Brasil
Indagado se, com a realização do referendo em Santa Cruz, um acordo não teria ficado ainda mais difícil, o chanceler brasileiro respondeu:
- O referendo já passou. Não adianta ficar pensando se é mais fácil ou menos fácil. A Bolívia é um país com o qual temos que trabalhar com as unidades nacionais. Agora, tem que haver diálogo.
Para Amorim, os eventos em Santa Cruz foram muito menos dramáticos do que o imaginado.
A União Européia (UE) também está preocupada com a tensão política, informou ontem a comissária de Relações Exteriores do bloco, Benita Ferrero-Waldner. Numa videoconferência sobre a Cúpula UE/América Latina e Caribe, marcada para este mês em Lima, no Peru, ela manifestou disposição de facilitar a aproximação entre o governo boliviano e as regiões opositoras.
- Fazemos votos para que todos os esforços, seja da Igreja, da Organização dos Estados Americanos e dos enviados do grupo de países amigos, realmente façam algo para fomentar este diálogo e que tenham êxito - disse Ferrero-Waldner, em sintonia com o Brasil.
*COLABOROU Geralda Doca
O Globo Rio reúne caçadores de ciclones
Evento este mês será o primeiro a dedicado a supertempestades no Atlântico Sul
Ana Lucia Azevedo
Ciclones extratropicais como o que deixou milhares de desabrigados e trouxe a primeira neve do ano no Sul do Brasil esta semana não são raros no país, diferentemente do que muita gente pensa. Porém, eles não são previstos com muita segurança em prazos superiores a cinco dias, o que poderia evitar mortes e prejuízos. Mas melhorar a previsão e traçar planos de redução de danos são as metas do Encontro Internacional sobre Ciclones do Atlântico Sul, que acontecerá no Rio de 19 a 21 de maio.
O evento será o primeiro a reunir somente especialistas nas chamadas tempestades severas para discutir o Atlântico Sul, muito menos conhecido e monitorado do que o Norte, vigiado por satélites, radares e bóias oceanográficas americanos e europeus. Por tempestade severa entenda-se fenômenos como ciclones, tornados, furacões e todo tipo de tempestade de alto poder destrutivo.
- Reuniremos especialistas do Brasil, de países do Cone Sul, da Austrália e dos Estados Unidos - diz o coordenador do encontro, Isimar de Azevedo Santos, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Um desses especialistas é Manoel Alonso Gan, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), em São José dos Campos, São Paulo. Gan participa de um programa para desenvolver um modelo capaz de prever que um ciclone destrutivo está a caminho, com antecedência de uma semana a dez dias. Ele é o representante do Brasil no programa Thorpex, da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O Thorpex tem como meta melhorar a previsão de eventos climáticos extremos em todo o mundo e há dois anos criou um comitê para o Hemisfério Sul.
- Prevemos quando um ciclone vai se formar com até quatro dias de antecedência. Mas isso não é suficiente para evitar danos muito extensos. Se um agricultor soubesse com antecipação maior que será atingido por uma geada, poderá antecipar a colheita e reduzir o prejuízo - explica Gan, um estudioso do Catarina, o único furacão registrado no Atlântico Sul e que em março de 2004 atingiu Santa Catarina.
Para isso, é preciso investimento em equipamentos - satélites, bóias oceânicas, radares, sensores em aviões e balões climatológicos, por exemplo. E é necessário aperfeiçoar os modelos matemáticos usados para prever o tempo. Engana-se quem imagina que caçar tempestades é trabalho de fiscal da natureza. Olhos eletrônicos de satélites, sensores e radares fazem esse serviço. Meteorologistas e climatologistas lidam com números. Desenvolvem e analisam modelos que transformam em números os fenômenos climáticos. E a matemática do clima ainda se enrola nas contas quando se trata de prever fenômenos como os ciclones, nos quais uma série quase infindável de elementos, como detalhes de vento, oceanos e atmosfera, estão envolvidos.
- No Brasil há poucos radares, fundamentais para prever fenômenos extremos. E devemos refinar nossos modelos, para que antecipem a formação de um ciclone, contando com dados preliminares - diz Gan.
Santos observa que num cenário de aquecimento global, em que o painel climático da ONU prevê o aumento da intensidade e da freqüência de supertempestades, esse tipo de previsão salvará vidas.
- Esse conhecimento é importante para planejamento urbano, navegação, atividades portuárias, prospecção de petróleo e turismo, por exemplo - diz Santos, coordenador do projeto "Estudo de Ciclones no Atlântico Sul e Impactos na Costa do Estado do Rio de Janeiro (Ciclones), apoiado pela Finep.
Nelson de Sá
Não é só com a Marinha dos EUA que o Brasil faz operações no Atlântico Sul. Os indianos "Hindu" e "Economic Times" deram que "o eixo trilateral" Índia, Brasil e África do Sul iniciou na segunda um exercício naval de dez dias, na costa da Cidade do Cabo. Envolvendo navios, submarinos e aviões, "visa a enfrentar o terrorismo no mar".
Folha de São Paulo Antes de sair, Putin fecha acordo nuclear com EUA
Presidente russo entrega hoje o cargo a Medvedev
Um dia antes de entregar o cargo de presidente da Rússia ao aliado Dmitri Medvedev, Vladimir Putin tomou ontem mais uma medida estratégica de última hora ao assinar um acordo de cooperação nuclear civil com os Estados Unidos.
O documento abre uma nova era na parceria tecnológica e comercial russo-americana e sinaliza um apaziguamento na relação bilateral, abalada entre outras razões pela recusa de Moscou em confrontar o programa nuclear iraniano.
O principal objetivo do acordo é ampliar o comércio nuclear bilateral entre empresas das duas maiores potências atômicas do mundo, abrindo caminho para a criação de joint ventures no setor.
O acordo facilitará o acesso dos americanos a enormes reservas de urânio na Rússia e permitirá aos russos penetrarem no mercado de energia nuclear dos EUA. Até agora, a Rússia não tinha acesso direto a esse atrativo segmento de negócios nos EUA.
O pacto também pode ajudar a Rússia a estabelecer uma instalação internacional para estocar combustível nuclear. Haveria dificuldade para fazer isso sem o apoio dos EUA, país que controla a maior parte do combustível nuclear mundial.
"O valor potencial desse acordo é o valor de todos os contratos que podem ser assinados entre as empresas dos dois países na esfera nuclear, que é obviamente de bilhões de dólares", disse uma fonte russa.
Em outra decisão estratégica tomada às vésperas de entregar o cargo, Putin havia promulgado anteontem uma lei que restringe os investimentos estrangeiros em setores estratégicos da economia nacional, como a indústria de armamento e os meios de comunicação.
Segundo a nova lei, as companhias estrangeiras precisarão de autorização oficial para poder comprar mais de 50% das ações de uma companhia estratégica russa.
Herança
Proibido por lei de concorrer a um terceiro mandato, Putin, 55, deixa hoje a Presidência russa após oito anos de gestão com aprovação de 70%. Ele é considerado responsável pelo fim do caos causado pela desintegração da União Soviética e mentor da recuperação da Rússia como potência geopolítica.
Putin continuará tendo grande influência na política russa, já que ele será o primeiro-ministro de Medvedev, que será empossado hoje em grandiosa cerimônia no Kremlin.
Com agências internacionais
Folha de São Paulo Painel do Leitor
Exército
"A respeito do artigo "Em busca da crise" (Brasil, 24/4), o Centro de Comunicação Social do Exército ressalta que o Brasil tem um histórico respeitável no que diz respeito à participação em missões de paz.
Essa participação inclui desde o envio de observadores e assessores militares até a participação mais efetiva com contingentes militares completos, como é o caso no Haiti.
O contingente brasileiro no Haiti é substituído a cada período de seis meses, conforme memorandos de entendimento entre as partes envolvidas e a ONU. A missão não tem prazo previsto para término. Ela é renovada a cada contingente, de acordo com a solicitação do Haiti, a aprovação da ONU e a aceitação por parte do governo brasileiro. Em maio próximo, terá início o rodízio do oitavo para o nono contingente.
Quanto ao cargo de "Force Commander", citado no artigo, que vem sendo exercido por brasileiros desde o início da missão no Haiti, o período de permanência previsto pela ONU -assim como de outros assessores de origem multinacional- é de um ano, diferentemente do da tropa. Em casos excepcionais, e quando solicitado pela a ONU, há a permanência do oficial-general além daquele prazo.
As atividades realizadas pelos brasileiros integrantes do Exército representam um esforço histórico de cooperação do país com a paz mundial. A missão no Haiti é a única -entre aquelas da ONU que visam à imposição de paz- que detém alto índice de aprovação por parte da população local (cerca de 78%)."
ADHEMAR DA COSTA MACHADO FILHO, general-de-divisão, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército (Brasília, DF)
Resposta do jornalista Janio de Freitas
- Não há, no artigo citado, uma só palavra contrária ou a respeito dos conceitos contidos na carta acima.
Jornal do Brasil Naufrágio já matou 34 no Rio Solimões
Passageiros desaparecidos ainda são cerca de 20, s
MANAUS
Subiu para 34 o número de mortos no naufrágio do barco Comandante Sales, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus), na madrugada de domingo. Somente ontem 17 corpos foram localizados nos rios Solimões e Amazonas. De acordo com a Polícia Civil, ainda há de 10 a 20 pessoas desaparecidas. As vítimas localizadas até agora são 17 homens, 16 mulheres e um menino de cerca de um ano.
O comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, Antônio dos Santos, disse que já era esperado que mais corpos começassem a boiar após 48 horas do acidente, já que as águas do rio Solimões são frias, o que favorece a conservação dos cadáveres.
– Em águas mais quentes a deterioração do corpo é maior e eles vão à tona em cerca de 24 horas – explicou Santos.
A maior parte dos corpos foi encontrada na região onde o barco de madeira tombou. Dois dos corpos, contudo, foram localizados a cerca de 50 km do local do naufrágio, já no rio Amazonas, nas imediações de Manaus.
Por conta da localização distante desses corpos, equipes de buscas montaram uma barreira' com lanchas no local para tentar evitar, visualmente, que corpos sejam levados pela correnteza do rio. O raio das buscas foi estendido para até 60 km do ponto do acidente.
Ontem, cerca de cem integrantes da Marinha e do Corpo de Bombeiros trabalhavam nas buscas. Um helicóptero da Marinha também foi usado na operação.
Até o início da noite, apenas os 17 corpos localizados entre o último domingo e segunda-feira haviam sido identificados. Os outros 17 permaneciam no Instituto Médico Legal em Manaus, para reconhecimento.
Investigação
O delegado Antônio Rodrigues disse que peritos iniciam hoje a perícia no barco, que possui dois andares e cerca de 20 metros de comprimento. Segundo o delegado, a causa mais provável do acidente foi excesso de passageiros, o que teria impossibilitado a embarcação de passar por um remoinho (movimento em círculo causado pelo cruzamento de ondas ou ventos), causando seu tombamento.
A capacidade do barco era de 50 pessoas. De acordo com estimativas do Corpo de Bombeiros, estaria transportando cerca de 80 no momento do acidente. A maioria participava de uma festa religiosa na comunidade Lago do Pesqueiro. Segundo a Marinha, o barco estava em situação irregular.
Segundo Rodrigues, ainda é difícil saber quantas pessoas sobreviveram ao acidente, devido ao grande número de barcos que ajudaram no resgate. A estimativa, segundo ele, é de cerca de 50 sobreviventes.
Jornal do Brasil Bahia: destroços do bimotor são achados
Equipes de resgate confirmaram ontem ter encontrado destroços do bimotor Cessna C-130 Q desaparecido desde o final da tarde de sexta-feira no litoral sul da Bahia. A aeronave transportava quatro empresários ingleses, além do piloto e do co-piloto. Ninguém foi encontrado. Segundo o capitão da PM e coordenador da operação de busca por terra, os objetos foram guardados e examinados na manhã de ontem. As buscas aos passageiros e tripulantes foram retomadas hoje, com ajuda da Marinha
Jornal do Brasil COLUNA GILBERTO AMARAL
Alto comando /Temporão no Senado/Ano polar
Gilberto Amaral
Alto comando
Foi transferida para o fim de maio, a reunião do Alto Comando do Exército. O comandante Enzo Martins Peri vai tratar com os quatro-estrelas de assuntos administrativos. Na próxima reunião deverá haver promoções.
Temporão no Senado
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai hoje ao Senado fazer uma prestação de contas sobre as iniciativas de seu ministério na luta de combate à dengue em território nacional.
No caso específico do Rio, há que se reconhecer o esforço das Forças Armadas, junto com os setores diretamente responsáveis do governo, para conseguir o controle do surto epidêmico.
Ano polar
O Congresso realiza sessão solene conjunta, nesta quinta-feira, às 10h, para comemorar a primeira participação do Brasil no 4º Ano Polar Internacional, que reúne um conjunto de ações científicas no Ártico e na Antártica. O programa envolve mais de 200 projetos, com milhares de cientistas de mais de 60 países que analisam uma série de tópicos nas áreas da física, da biologia e da pesquisa social
O Estado de São Paulo Chegam a 34 os mortos em naufrágio
MPE diz que pode bloquear bens de donos para pagar indenizações; Lula diz que ‘ganância’ causou tragédia
André Alves
O prefeito de Manacapuru, Washington Régis, afirmou ontem que o número de vítimas do naufrágio do barco Comandante Sales 2008 pode chegar a 50. Até ontem, 34 corpos haviam sido resgatados. Após o cruzamento de dados colhidos pelo serviço social da prefeitura com informações da Polícia Civil, chegou-se à conclusão de que ainda há pelo menos 20 pessoas desaparecidas.
Ontem, equipes do Corpo de Bombeiros e da Marinha encontraram mais 17 corpos (6 mulheres, 10 homens e 1 criança do sexo masculino). Desses, 2 foram encontrados flutuando no encontro das águas dos Rios Negro e Solimões, a pelo menos 30 quilômetros do local do acidente. As equipes de resgate trabalham numa extensão de 60 quilômetros à procura dos corpos de outras vítimas.
“Os corpos estão começando a boiar” , comentou o prefeito de Manacapuru, cidade onde residiam todas as vítimas do acidente. Na tarde de segunda-feira, 17 pessoas foram sepultadas no município. O barco Comandante Sales 2008 naufragou na madrugada do domingo, no Rio Solimões, interior do Amazonas.
Promotores do Ministério Público do Amazonas anunciaram que vão acompanhar as investigações sobre as causas do naufrágio. A apuração está sendo conduzida pela Capitania dos Portos e pela 1ª Delegacia Regional de Manacapuru. Um dos representantes da comissão, o promotor Agnaldo Concy, lamentou a falta de dados precisos sobre o número de passageiros do barco. “Até o momento, o único número de que dispomos é o de vítimas registradas no IML (Instituto Médico-Legal).”
Concy ressaltou que esses dados “são importantíssimos” para ajudar as famílias das vítimas a requererem indenização dos proprietários do barco. Um deles, Francisco Sales, morreu no acidente. Segundo o MPE, os bens de Sales podem ser bloqueados pela Justiça e posteriormente repassados às famílias. Estima-se que 80 a 100 pessoas estivessem na embarcação no momento do acidente.
Em visita oficial ao Amazonas, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que os próprios passageiros de embarcações exijam segurança, embora tenha admitido que já viajou em embarcações “com caixa-d’água com peixe, bode, cavalo, com um palmo de água pra entrar, com tudo dentro”. “Mas as pessoas precisam autofiscalizar-se. Ninguém pode jogar sua vida numa embarcação que não tenha as condições adequadas”, afirmou. “Quando um cidadão ganancioso pensa em ganhar dinheiro alugando um barco, colocando mais gente do que deveria colocar, sem a segurança ideal, esse cidadão está cometendo crime contra o povo.”
O Estado de São Paulo Venezuela busca compra de submarinos da Rússia
Roberto Godoy
O presidente Hugo Chávez, da Venezuela, vai assinar essa semana, em Moscou, o contrato inicial de US$ 800 milhões para a compra dos primeiros quatro submarinos, de um provável lote de nove modelos da classe Kilo-2, considerados “muito silenciosos e furtivos”, de acordo com o chefe do estaleiro Rubin, engenheiro Yuri Kormilitsin.
A negociação foi anunciada pelo principal jornal de economia do país, o Kommersant. Chávez está na Rússia para assistir à posse, hoje, do novo presidente, Dmitri Medvedev (leia na pág. 14).
O valor total estimado da operação é de US$ 2,4 bilhão, com o armamento e o recheio eletrônico. A agência russa para venda de equipamentos e sistemas militares, a Rosoboronexport, admitiu as “discussões comerciais”. O Kilo 2-636 é a última geração de uma herança da Guerra Fria. Na prática, é um novo navio de combate. É um modelo médio, que desloca 4.000 toneladas submerso, e veloz, operando na faixa de 25 nós, com autonomia de 13,5 mil km. Não há igual na América Latina - mesmo o novo submarino convencional brasileiro, o francês Scórpene, é menor, com 1.700 toneladas. O armamento é composto por 20 torpedos de 533 mm, 24 minas e 18 mísseis: 16 antiaéreos leves Igla e Strela, para atingir alvos voando baixo, entre 4,2 km e 5,5 km; mais 2 Oniks, de cruzeiro.
Duas das seis câmaras disparadoras dianteiras foram preparadas para receber o torpedo de alto desempenho e médio alcance Shkval-E. Lançado dentro de uma de bolha de ar comprimido, viaja por 13 km levando 210 quilos de explosivos a 400 km/h.
O Globo Amorim: continente rejeita separatismo
Em nome dos vizinhos, chanceler diz que autonomia na Bolívia deve ser negociada com o governo
Eliane Oliveira*
BRASÍLIA. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem, após se reunir com o chanceler uruguaio, Gonzalo Fernández, que as nações sul-americanas jamais aceitariam o separatismo na Bolívia, como resultado do referendo realizado no último domingo em Santa Cruz e dos que estão por vir em outros departamentos. A autonomia, defendeu o ministro, deve ser negociada com La Paz.
- Não creio que haja separatismo. Até porque a América do Sul não aceitaria isso - disse Amorim.
Ele frisou que o Brasil não se posicionaria contra o desejo de autonomia, desde que se respeitem os princípios constitucionais e seja da vontade do povo boliviano. Segundo o ministro, é preciso que o estatuto que foi votado em Santa Cruz esteja de acordo com a Constituição em vigor no país.
O ministro defendeu um amplo acordo na Bolívia.
- É perfeitamente possível restabelecer o diálogo com a ajuda da Igreja, da OEA (Organização dos Estados Americanos) e dos países amigos - disse Amorim, referindo-se ao Grupo de Amigos da Bolívia, formado por Brasil, Argentina e Colômbia. - O que temos que fazer é trabalhar de maneira coordenada, para irmos todos no mesmo sentido. Neste momento, temos de encontrar uma maneira de restabelecer o diálogo e é nisso que estamos empenhados. Mas com discrição, sem impor nada. Não podemos nos esquecer de que, nesse caso, o grupo de amigos foi uma sugestão inicial do próprio governo boliviano.
União Européia mostra sintonia com o Brasil
Indagado se, com a realização do referendo em Santa Cruz, um acordo não teria ficado ainda mais difícil, o chanceler brasileiro respondeu:
- O referendo já passou. Não adianta ficar pensando se é mais fácil ou menos fácil. A Bolívia é um país com o qual temos que trabalhar com as unidades nacionais. Agora, tem que haver diálogo.
Para Amorim, os eventos em Santa Cruz foram muito menos dramáticos do que o imaginado.
A União Européia (UE) também está preocupada com a tensão política, informou ontem a comissária de Relações Exteriores do bloco, Benita Ferrero-Waldner. Numa videoconferência sobre a Cúpula UE/América Latina e Caribe, marcada para este mês em Lima, no Peru, ela manifestou disposição de facilitar a aproximação entre o governo boliviano e as regiões opositoras.
- Fazemos votos para que todos os esforços, seja da Igreja, da Organização dos Estados Americanos e dos enviados do grupo de países amigos, realmente façam algo para fomentar este diálogo e que tenham êxito - disse Ferrero-Waldner, em sintonia com o Brasil.
*COLABOROU Geralda Doca
O Globo Rio reúne caçadores de ciclones
Evento este mês será o primeiro a dedicado a supertempestades no Atlântico Sul
Ana Lucia Azevedo
Ciclones extratropicais como o que deixou milhares de desabrigados e trouxe a primeira neve do ano no Sul do Brasil esta semana não são raros no país, diferentemente do que muita gente pensa. Porém, eles não são previstos com muita segurança em prazos superiores a cinco dias, o que poderia evitar mortes e prejuízos. Mas melhorar a previsão e traçar planos de redução de danos são as metas do Encontro Internacional sobre Ciclones do Atlântico Sul, que acontecerá no Rio de 19 a 21 de maio.
O evento será o primeiro a reunir somente especialistas nas chamadas tempestades severas para discutir o Atlântico Sul, muito menos conhecido e monitorado do que o Norte, vigiado por satélites, radares e bóias oceanográficas americanos e europeus. Por tempestade severa entenda-se fenômenos como ciclones, tornados, furacões e todo tipo de tempestade de alto poder destrutivo.
- Reuniremos especialistas do Brasil, de países do Cone Sul, da Austrália e dos Estados Unidos - diz o coordenador do encontro, Isimar de Azevedo Santos, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Um desses especialistas é Manoel Alonso Gan, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), em São José dos Campos, São Paulo. Gan participa de um programa para desenvolver um modelo capaz de prever que um ciclone destrutivo está a caminho, com antecedência de uma semana a dez dias. Ele é o representante do Brasil no programa Thorpex, da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O Thorpex tem como meta melhorar a previsão de eventos climáticos extremos em todo o mundo e há dois anos criou um comitê para o Hemisfério Sul.
- Prevemos quando um ciclone vai se formar com até quatro dias de antecedência. Mas isso não é suficiente para evitar danos muito extensos. Se um agricultor soubesse com antecipação maior que será atingido por uma geada, poderá antecipar a colheita e reduzir o prejuízo - explica Gan, um estudioso do Catarina, o único furacão registrado no Atlântico Sul e que em março de 2004 atingiu Santa Catarina.
Para isso, é preciso investimento em equipamentos - satélites, bóias oceânicas, radares, sensores em aviões e balões climatológicos, por exemplo. E é necessário aperfeiçoar os modelos matemáticos usados para prever o tempo. Engana-se quem imagina que caçar tempestades é trabalho de fiscal da natureza. Olhos eletrônicos de satélites, sensores e radares fazem esse serviço. Meteorologistas e climatologistas lidam com números. Desenvolvem e analisam modelos que transformam em números os fenômenos climáticos. E a matemática do clima ainda se enrola nas contas quando se trata de prever fenômenos como os ciclones, nos quais uma série quase infindável de elementos, como detalhes de vento, oceanos e atmosfera, estão envolvidos.
- No Brasil há poucos radares, fundamentais para prever fenômenos extremos. E devemos refinar nossos modelos, para que antecipem a formação de um ciclone, contando com dados preliminares - diz Gan.
Santos observa que num cenário de aquecimento global, em que o painel climático da ONU prevê o aumento da intensidade e da freqüência de supertempestades, esse tipo de previsão salvará vidas.
- Esse conhecimento é importante para planejamento urbano, navegação, atividades portuárias, prospecção de petróleo e turismo, por exemplo - diz Santos, coordenador do projeto "Estudo de Ciclones no Atlântico Sul e Impactos na Costa do Estado do Rio de Janeiro (Ciclones), apoiado pela Finep.
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